quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Cap. 1 Entre Livros e Sutiã


 

 

Pov. Stella / Horas: 01: 40

Já é tarde, porem é realmente necessário terminar este trabalho, meus neurônios estão sendo todos queimados com uma simples questão "Todos merecem a vida?", é complicado responder, pois os assassinos matam, mas merecem viver, (fala sério, é óbvio que eles mortos seria muito melhor), mas quem somos nós para julgar os outros?   
Depois de um bom tempo fui até a cozinha cambaleando entre um móvel ao outro para buscar algo que me mantivesse acordada e adivinha por que optei? Se sua resposta foi energético está absolutamente errado. Na verdade eu só bebo café, quando quero algo quente, quando quero algo frio, quando quero dormi, quando quero ficar acordada. Não importa a situação o café é sempre a saída que encontro e se por ventura eu me enjoar durante a semana tomo cappuccino.
Despejo o liquido em uma caneca preta com a seguinte frase “Quer um mundo melhor? Faça a diferença”que certa vez ganhei de presente em um amigo secreto na qual meu tio tinha saído com meu nome.
Segundos depois sinto uma pontada perfurar meu estomago, provavelmente deve ser pela enorme quantidade ingerida sem nenhuma comida firme.
Estes cafés durante a madrugada estão acabando com meu estomago. Todos os universitários de medicina antes de começar a exercer a profissão deveriam fazer um transplante do sistema digestivo, pois ele foi todo danificado pela cafeína! Se ficassem 24 horas acordados a base desse liquido preto entenderia!
{...}
Neste momento estou revirando um dicionário de português a procura de uma palavra que expresse melhor o sentimento “raiva”! Aquele idiota pervertido do meu vizinho decidiu ligar o som em plena madrugada. Cara, eu não entendo por que só eu reclamo. Deve ser pelo fato das ondas sonoras causarem um tremor no teto do meu apartamento fazendo a luzes apagarem de 10 em 10 minutos...
Cansada do barulho insuportável coloquei o fone nos ouvidos e acabei cochilando em cima do livro de Anatomia Humana...

Acordei toda dolorida. Para ajudar a despertar me enfiei em baixo do chuveiro.
Antes de sair do banheiro tomei um analgésico pra dor muscular. Minha coluna um dia vai me matar se a cafeína não fizer isso primeiro. São sempre as mesmas dores, e é ainda pior quando as cãibras decidem aparecer.
Depois de me arrumar, reúno o projeto que estou montando e pego o notebook. Tudo que necessito está aqui, o resto do material ficou no meu armário pessoal na universidade!
Ao chegar ao elevador, adivinhem quem estava dentro? O chato do Erick, meu vizinho.
Decidi optar pela opção mais obvia “Ignorar”, mas nunca funciona então logo ele dirigiu um comentário sem graça a mim. 
—Está com olheira, não sabe que existe maquiagem para isso? —ele fala debochando.
—Se não houvesse tanto barulho à noite minha aparência estaria melhor, e maquiagem é uma perca de tempo! —Explico meu ponto de vista.
—Ajudaria a deixar-te um pouco digna de ser notada! —Ele me avalia.
—Que bom que não estou precisando ser notada! Agora se pudesse controlar sua noitada agradeceria! —Falei sem um pingo de paciência, estávamos no quinto andar o que demoraria uns dois minutos para chegar a recepção, já reclamei ao sindico que o elevador estava com mal funcionamento mais não adiantou ele disse que é normal demorar quatro minutos do oitavo andar até o primeiro!

Sem ter o que fazer perguntei sobre a próxima “peguete” dele!  
—Quem foi à calcinha dessa noite? A Espanhola do primeiro andar? —provoquei.
—Ah não, essa foi à da noite retrasada, ontem foi à mexicana que trabalha na padaria...
—E quem vai ser a próxima? — fingi ter interesse no assunto.
—Ainda não sei, mas se prepara. Sua vez está chegando. A propósito, amo lingerie vermelha!— ele fala mordendo os lábios!
—Imbecil! —retruco.
Depois da conversinha super “Leve” do elevador, peguei minha moto preta e entrei no trânsito pesado das seis e meia de Goiânia; Se continuar nesta toada chegarei no horário de almoço. Digamos que minha presença não está sendo muito pontual, e já me alertaram sobre isso!
Na faculdade não ocorreu nada fora do esperado, muitos trabalhos e uma lista de livros pra ler. Os meus dois amigos, Laura e Bruno, continuavam a discussão sobre qual tipo de pessoas é mais sexy.
—Isso é uma perca de tempo, pois só aquele que passaram por uma cirurgia é atraente, antigamente se apaixonava pela quantidade de livro que lia, hoje é pelo tamanho do sutiã! —resmungo
—Stella, você só defende essa teoria do livro e do sutiã porque seus seios não cresceram, todos sabem que é por isso que você usa os livros como defesa! —O Bruno fala abusando de mim.
—Primeiro de tudo eu leio por cultura, conhecimento, diversão e religião, segundo eu sou virgem até hoje porque escolhi ter sucesso na carreira profissional em vez de um marido preguiçoso e um filho pra criar! Então não me importa qual seja a numeração de meu sutiã! —respondo meio fora de nexo.
—Existe sexo sem casamento Stella, Em que mundo você está? Esse é o século 21! Acorda! —O Bruno gritou me deixando com vergonha por todos do local ter ouvido.
—Eu discordo pra mim isso é errado. Posso ser careta, boba e encalhada, mas tenho orgulho de pensar assim! —Respondi com a face vermelha de tanta vergonha.
A conversa continuou no mesmo pique até a Laura cansar e mandar nós dois calar a boca e almoçar!
A comida apresentava a mesma afeição de algo regurgitado e cuspido no prato, este ano exigimos uma melhora no restaurante cidadão, mas não se pode reclamar do local onde se paga apenas 1,00R$ pela refeição, se quisermos algo melhor existem outra opções, só não podemos gastar 15,00R$ em um prato com lasanha, pizza, estrogonofe e frango assado, esse valor nos quebraria!


                                                                     Pov. Erick / No Quartel

Cento sobre a mesa, e quando digo mesa, significa exatamente a mesa, não sei se já mencionei, mas odeio cadeiras. O Flash (que é o novo cachorro em treinamento do 2° Batalhão de Bombeiros) passou pela cozinha do quartel feito uma bala, levando a Jessica que caminhava despercebida ao chão.
—Pega ele! —Brando gritou enquanto vinha correndo atrás do animal. —Não deixe ele escapar.
Eu ignoro o pedido e continuo a comer meu sanduíche natural.  Jessica balbucia alguns palavrões de baixa calunia enquanto se levanta do chão.
O Brando continuou correndo atrás do Flash, deixando eu e a garota de cabelos pretos a sós na cozinha.
—Erick, sabia que me deu um desejo incontrolável de roubar esse sanduíche!  —Ela diz olhando para minha mão.
—Nem vem garota, hoje eu não te darei o meu lanche. —Resmungo quando ela me ignora e morde meu lanche. —Eu falei que não te daria!
—E foi por isso que eu não pedi e sim roubei. —Ela passa os dedos nos lábios limpando a maionese.
Continuo olhando para os arredores quando o Otávio chega com um balde de água e um esfregão.
—Aurora o banheiro é todo seu! —Ele aponta os utensílios para mim. Reviro os olhos indignado com o apelido ridículo!
—Não estou vendo nenhuma Aurora aqui, Jasmim! —Retruco, meu sanduíche já havia acabado graças a esfomeada da Jessica.
—Jasmim não colou tão bem quanto Aurora! —Otávio puxa a cadeira e se senta.
—Não sei porque! —Me levanto e vou até a pia lavar as mãos.
—Você tem os lábios rosinha, tem os cabelos loiros como o sol e ainda canta! —Ele meche as mãos enquanto gesticula a boca para falar.  —É uma ótima Aurora, Erick!
Viro-me para ele, após lanço aquele olhar de cale a boca.
— Não me compare com nada da Disney, primeiramente porque não sou mulher! —Vou até ele e seguro sua camisa branca pelo colarinho. —E segundo, aqueles filmes são demoníacos, literalmente do mal, tudo tem segundas intenções!
Otávio tenta abafar os risos que insistem em sair.
—Não me diga que tem medo de conto de fada, bebezinho! —Ele zomba.
—Aquilo é mais real do que pensas! —O solto nervoso e me direciono ao armário de suprimentos para ver se arranjo algumas bolachas.
Jessica que até o momento estava transparente no assunto se manifestou.
—Erick, mas que você tem os lábios rosinha você tem! —Ela zombou.
Eu pretendia retrucar, mas o alarme tocou, o que significa que temos uma emergência! 


Nenhum comentário:

Postar um comentário