Pov. Stella / Horas: 01: 40
Já é tarde, porem é realmente necessário terminar
este trabalho, meus neurônios estão sendo todos queimados com uma simples
questão "Todos merecem a vida?", é complicado responder, pois os assassinos
matam, mas merecem viver, (fala sério, é óbvio que eles mortos seria muito
melhor), mas quem somos nós para julgar os outros?
Depois de um bom tempo fui até a cozinha
cambaleando entre um móvel ao outro para buscar algo que me mantivesse acordada
e adivinha por que optei? Se sua resposta foi energético está absolutamente
errado. Na verdade eu só bebo café, quando quero algo quente, quando quero algo
frio, quando quero dormi, quando quero ficar acordada. Não importa a situação o
café é sempre a saída que encontro e se por ventura eu me enjoar durante a
semana tomo cappuccino.
Despejo o liquido em uma caneca preta com a
seguinte frase “Quer um mundo melhor?
Faça a diferença”que certa vez ganhei de presente
em um amigo secreto na qual meu tio tinha saído com meu nome.
Segundos depois sinto uma pontada perfurar meu
estomago, provavelmente deve ser pela enorme quantidade ingerida sem nenhuma
comida firme.
Estes cafés durante a madrugada estão acabando com
meu estomago. Todos os universitários de medicina antes de começar a exercer a
profissão deveriam fazer um transplante do sistema digestivo, pois ele foi todo
danificado pela cafeína! Se ficassem 24 horas acordados a base desse liquido
preto entenderia!
{...}
Neste momento estou revirando um dicionário de
português a procura de uma palavra que expresse melhor o sentimento “raiva”!
Aquele idiota pervertido do meu vizinho decidiu ligar o som em plena madrugada.
Cara, eu não entendo por que só eu reclamo. Deve ser pelo fato das ondas
sonoras causarem um tremor no teto do meu apartamento fazendo a luzes apagarem
de 10 em 10 minutos...
Cansada do barulho insuportável coloquei o fone nos
ouvidos e acabei cochilando em cima do livro de Anatomia Humana...
Acordei toda dolorida. Para ajudar a despertar me
enfiei em baixo do chuveiro.
Antes de sair do banheiro tomei um analgésico pra
dor muscular. Minha coluna um dia vai me matar se a cafeína não fizer isso
primeiro. São sempre as mesmas dores, e é ainda pior quando as cãibras decidem
aparecer.
Depois de me arrumar, reúno o projeto que estou
montando e pego o notebook. Tudo que necessito está aqui, o resto do material
ficou no meu armário pessoal na universidade!
Ao chegar ao elevador, adivinhem quem estava
dentro? O chato do Erick, meu vizinho.
Decidi optar pela opção mais obvia “Ignorar”, mas
nunca funciona então logo ele dirigiu um comentário sem graça a mim.
—Está com olheira, não sabe que existe maquiagem
para isso? —ele fala debochando.
—Se não houvesse tanto barulho à noite minha
aparência estaria melhor, e maquiagem é uma perca de tempo! —Explico meu ponto
de vista.
—Ajudaria a deixar-te um pouco digna de ser notada!
—Ele me avalia.
—Que bom que não estou precisando ser notada! Agora
se pudesse controlar sua noitada agradeceria! —Falei sem um pingo de paciência,
estávamos no quinto andar o que demoraria uns dois minutos para chegar a
recepção, já reclamei ao sindico que o elevador estava com mal funcionamento
mais não adiantou ele disse que é normal demorar quatro minutos do oitavo andar
até o primeiro!
Sem ter o que fazer perguntei sobre a próxima
“peguete” dele!
—Quem foi à calcinha dessa noite? A Espanhola do
primeiro andar? —provoquei.
—Ah não, essa foi à da noite retrasada, ontem foi à
mexicana que trabalha na padaria...
—E quem vai ser a próxima? — fingi ter interesse no
assunto.
—Ainda não sei, mas se prepara. Sua vez está
chegando. A propósito, amo lingerie vermelha!— ele fala mordendo os lábios!
—Imbecil! —retruco.
Depois da conversinha super “Leve” do elevador,
peguei minha moto preta e entrei no trânsito pesado das seis e meia de Goiânia;
Se continuar nesta toada chegarei no horário de almoço. Digamos que minha
presença não está sendo muito pontual, e já me alertaram sobre isso!
Na faculdade não ocorreu nada fora do esperado,
muitos trabalhos e uma lista de livros pra ler. Os meus dois amigos, Laura e
Bruno, continuavam a discussão sobre qual tipo de pessoas é mais sexy.
—Isso é uma perca de tempo, pois só aquele que
passaram por uma cirurgia é atraente, antigamente se apaixonava pela quantidade
de livro que lia, hoje é pelo tamanho do sutiã! —resmungo
—Stella, você só defende essa teoria do livro e do
sutiã porque seus seios não cresceram, todos sabem que é por isso que você usa
os livros como defesa! —O Bruno fala abusando de mim.
—Primeiro de tudo eu leio por cultura,
conhecimento, diversão e religião, segundo eu sou virgem até hoje porque
escolhi ter sucesso na carreira profissional em vez de um marido preguiçoso e
um filho pra criar! Então não me importa qual seja a numeração de meu sutiã! —respondo
meio fora de nexo.
—Existe sexo sem casamento Stella, Em que mundo
você está? Esse é o século 21! Acorda! —O Bruno gritou me deixando com vergonha
por todos do local ter ouvido.
—Eu discordo pra mim isso é errado. Posso ser
careta, boba e encalhada, mas tenho orgulho de pensar assim! —Respondi com a
face vermelha de tanta vergonha.
A conversa continuou no mesmo pique até a Laura
cansar e mandar nós dois calar a boca e almoçar!
A comida apresentava a mesma afeição de algo
regurgitado e cuspido no prato, este ano exigimos uma melhora no restaurante
cidadão, mas não se pode reclamar do local onde se paga apenas 1,00R$ pela
refeição, se quisermos algo melhor existem outra opções, só não podemos gastar
15,00R$ em um prato com lasanha, pizza, estrogonofe e frango assado, esse valor
nos quebraria!
Pov.
Erick / No Quartel
Cento sobre a mesa, e quando digo mesa, significa exatamente a mesa, não
sei se já mencionei, mas odeio cadeiras. O Flash (que é o novo cachorro em
treinamento do 2° Batalhão de Bombeiros) passou pela cozinha do quartel feito
uma bala, levando a Jessica que caminhava despercebida ao chão.
—Pega ele! —Brando gritou enquanto vinha correndo atrás do animal. —Não
deixe ele escapar.
Eu ignoro o pedido e continuo a comer meu sanduíche natural. Jessica balbucia alguns palavrões de baixa
calunia enquanto se levanta do chão.
O Brando continuou correndo atrás do Flash, deixando eu e a garota de
cabelos pretos a sós na cozinha.
—Erick, sabia que me deu um desejo incontrolável de roubar esse
sanduíche! —Ela diz olhando para minha
mão.
—Nem vem garota, hoje eu não te darei o meu lanche. —Resmungo quando ela
me ignora e morde meu lanche. —Eu falei que não te daria!
—E foi por isso que eu não pedi e sim roubei. —Ela passa os dedos nos
lábios limpando a maionese.
Continuo olhando para os arredores quando o Otávio chega com um balde de
água e um esfregão.
—Aurora o banheiro é todo seu! —Ele aponta os utensílios para mim.
Reviro os olhos indignado com o apelido ridículo!
—Não estou vendo nenhuma Aurora aqui, Jasmim! —Retruco, meu sanduíche já
havia acabado graças a esfomeada da Jessica.
—Jasmim não colou tão bem quanto Aurora! —Otávio puxa a cadeira e se
senta.
—Não sei porque! —Me levanto e vou até a pia lavar as mãos.
—Você tem os lábios rosinha, tem os cabelos loiros como o sol e ainda
canta! —Ele meche as mãos enquanto gesticula a boca para falar. —É uma ótima Aurora, Erick!
Viro-me para ele, após lanço aquele olhar de cale a boca.
— Não me compare com nada da Disney, primeiramente porque não sou
mulher! —Vou até ele e seguro sua camisa branca pelo colarinho. —E segundo,
aqueles filmes são demoníacos, literalmente do mal, tudo tem segundas
intenções!
Otávio tenta abafar os risos que insistem em sair.
—Não me diga que tem medo de conto de fada, bebezinho! —Ele zomba.
—Aquilo é mais real do que pensas! —O solto nervoso e me direciono ao
armário de suprimentos para ver se arranjo algumas bolachas.
Jessica que até o momento estava transparente no assunto se manifestou.
—Erick, mas que você tem os lábios rosinha você tem! —Ela zombou.
Eu pretendia retrucar, mas o alarme tocou, o que significa que temos uma
emergência!

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