quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Cap. 2 O elevador



Pov. Stella
Procuro por todo o minúsculo quarto minha batinha branca escrita “Eu escolhi esperar” embaixo da frase tem uma mão com aliança... Eu estava bolada, revoltada, chateada! Essa batinha foi um presente de uma amiga minha, ela me deu de presente de amigo secreto no final do ano a cinco anos atrás antes de eu vir cursar medicina em Brasília!    
Ela era especial para mim, mesmo nós não tendo mais uma ligação já que cada uma seguiu para seu rumo, por isso tenho tanto apreço por essa peça de roupa.
Abro a porta do meu roupeiro e jogo as peças de roupas na minha cama de solteiro!
Mergulho na bagunça que acabei de fazer na minha cama a procura da batinha, depois de um tempo a encontro. Parecia que a retirei do bucho da vaca de tão amarrotada que estava!
{...}
Olho no calendário expostos na parede a data destacada 15/02/2016, respiro fundo, não consigo acreditar que essa data tão esperada chegou! Hoje inicio meu estagio no hospital Santo Rei. Meu turno inicia as uma hora da tarde.
Sabem aquela sensação de medo e empolgação? É exatamente assim que me sinto.
Vou até o fogão e termino de fazer o café, despejo na minha caneca preferida, não sei se mencionei, ela é preta e tem a seguinte frase “Se quer um mundo melhor? Faça a diferença”...
Bebo o liquido enquanto me direciono até a campainha que acabou de tocar.
Assim que abro a porta me deparo com uma loira de porte médio e olhos bem marcados por um delineador.
—Você poderia me informar onde é o apartamento do Erick? —Ela perguntou simpática. —O porteiro me informou, mas eu não prestei devida atenção.
Ela segurava um bebê recém nascido imagino. Ele tinha um rostinho redondo e os olhos acinzentados.
—O Erick mora no andar de cima, na primeira porta a esquerda!  —Fico curiosa e não resisto. —Você é namorada dele?
—Não, mas o bebê é pra ele cuidar!
Ela fica um pouco vermelha, mas não se deixou abalar.  Decidi fazer essa pergunta devido à quantidade de mulheres que entram naquele apartamento. Lembro a fisionomia da espanhola (essa parecia uma P***)!  Também teve a garota da sorveteria que sempre vinha me pedir creme ou gel emprestado... o que mais me mata de ódio nisso tudo é que ainda vem semi nua. Todas com um minúsculo short e um top!
Agora me diz se um homem desse tem capacidade de ser pai? Já me surpreende o fato de ser bombeiro, mas pai é um abuso!  
A loira me agradece pela informação e se retira. 
Termino de tomar o café, após engulo um comprimido para dor muscular.
Visto um casaco preto e tranco à porta do apartamento. Em um braço segurava minha mochila e no outro o capacete.   
O Erick, pai? Parece até uma piada...
Lembro a primeira vez em que nos conhecemos. A recepcionista não estava então ele me mostrou onde era o oitavo andar. Cheguei a pensar que era um cavalheiro, ou melhor, príncipe encantado. Minha ideia foi assim até ele dizer:
—Cadê minha gorjeta? —Ele retirou o cabelo grande da face (nessa época seu cabelo era lizinho e batia no pescoço, sem mencionar a franja que tampava metade do olho).
—Desculpa-me, mas eu gastei todo meu dinheiro com o táxi! —Expliquei ainda com um sorriso.
Ele ao invés de ser compreensível, virou as costas e sai resmungando “ garota folgada”!
E no dia seguinte ainda teve a audácia de me cobrar a gorjeta. É obvio que eu não dei a bendita gorjeta de implicância!
Pensando por esse ângulo, desde o principio tivemos uma relação conturbada! 

Esmurro o painel de controle do elevador para ele raciocinar o comando! As coisas neste prédio estão caindo aos pedaços, inclusive o elevador! 
Cinco minutos depois ele abre a porta revelando à loira e o bebê.
—O que sucedeu? —Pergunto a ela. A mulher ajeita o manto que envolve o menino depois me respondeu:
—Acho que ele ainda está no trabalho, afinal não estava em casa.
—Que pena respondo.
O elevador descia a velocidade de uma tartaruga.
—Posso segurar ele? —Perguntei a ela apontando para o bebê.
—Pode sim... —Ela me entregou ele. — A propósito,  o nome dele é Vitor!
Segurei o Vitor, que por sinal me lembrou do Gabriel. Para quem não sabe o Gabriel é o mais novo membro da minha família, meus pais o adotaram o ano passado. A mãe biológica dele  era sozinha e morreu no parto ai ele foi encaminhado para doação e por sorte meus pais eram os próximos da fila. 
O elevador descia naquela velocidade quando deu um estralo. Ele desceu de uma vez, a velocidade me fez desequilibrar e bater as costas com tudo na parede. A loira acertou atesta na parede causando um corte na pele.
Tudo foi rápido, ele começou a subir a toda velocidade novamente, fazendo me cair de bunda causando um choque devido à pancada no bebê que começou a chorar.
E assim travou... Tudo ficou escuro.
—Ai meu Deus... —Sussurrei nervosa! Apertei o Vitor em mim o confortando.
—E-eu n-não que-quero ficar pre-presa! —A loira gaguejou desesperada.
—Se acalma. —Pedi enquanto pensava no que fazer. 
{...}
A lanterna do smartphone  estava ligada, a loira estava ficando rocha, eu conversava suave tentando acalmá-la, mas não estava funcionando, pelo visto ela tem claustrofobia ( são pessoas que tem medo de ficar presas em lugares pequenos e abafados).
O bebê dormiu em meus braços igual a um anjinho. Tenho absoluta certeza de que notaram que o elevador está preso, agora é questão de tempo para nos resgatar.
Penso no tempo que estou perdendo no qual poderia estar fazendo meu trabalho de patologia.  O que será  que passa na cabeça da Laura e do Bruno? Devem estar me xingando por ter faltado ao compromisso.
Sem muitas opções encolhi em um canto para esquentar, pude ouvir o som da chuva cai, o elevador é colado na parede, então dá para ouvir o que acontece do lado de fora. 
 Houve mais um estralo, e conseqüentemente o elevador desceu uns dois andares de uma vez!
Sinto meu coração pulando pela boca. Não sei a quantos andares estamos do térreo, mas se chegarmos lá o acidente pode ser feio!   
Minhas mãos soam de nervoso. Viro-me para ver como a mãe do Vitor estava. O que vejo é apavorante, seu corpo estava mole...
Ela arregalou os olhos, lancei imediatamente uma de minhas mãos  evitando um pouco a queda dela.
—Isso é hora pra desmaiar meu Deus! —Resmunguei.
Ouso um barulho a cima do elevador, espero que seja o resgate!
Coloco o Vitor no chão e vou socorrer a mãe!
Meus cabelos caia de leve em minha face atrapalhando.  Confiro a respiração dela que por sorte estava indo bem (um pouco fraca, mas não a ponto de fazer boca a boca, o que é ótimo, não vai trazer danos graves).
Deve ter sido apenas um susto. Desabotoei as três primeiras casas de botões de sua camisa para não atrapalhar na respiração. A coloquei reta no elevador, fazendo com que a cabeça ficasse mais baixa, facilitando a chegada do sangue no cérebro!
Posicionei-me metade de um lado e metade do outro, após apalpei os seu ombros e chamei:
—Loira, loira, loira... —Ela abriu os olhos ainda desorientada.
Houve um estrondo em cima de nós, então ouvi uma voz reconhecida.
—Fiquem calmos que já vamos tirar vocês dai! —Uma voz mansa e firme. —Podem informar os seus nomes?
—Stella, Erick... —Respondi para o bombeiro que estava preste a me salvar que também é meu vizinho.
—Tinha que ser. —Respondeu irônico. —Estou com dó do elevador que teve que te tolerar esse tempo todo!
Minha vontade era de mandar ele para aquele lugar! Mas como tenho a santa e gloriosa paz do senhor em mim me controlei dizendo apenas um “Cala a boca, imbecil”! 
—Tem mais alguém com você? —Perguntou mais gentil.
—Tem uma loira que veio a sua procura e seu filho! —Falei com a voz embargada enquanto segurava o bebê novamente.
—Está me dizendo que a Érica e o Vitor está ai com você? —Perguntou preocupado.
—Sim estamos. —A mulher mesmo respondeu.
Ouvi o som de uma parafusadeira. Logo depois um pedaço do teto do elevador foi retirado.
—O Vitor está bem? — perguntou apontando para minhas mãos, seus olhos verde acinzentado era igual ao do bebe  já o da loira era castanho claro.
—Sim esta.
Os bombeiros desceram uma maca pequena.
—Coloque ele nela e afivele com força para o bebê não cair! —Confirmei com a cabeça e fiz o mandado.
Um outro bombeiro de ombros mais largos e cabelo preto com um leve grisalho desceu até onde eu estava.
—Quem vai sair primeiro? —Perguntou para nós duas, o Erick se mantinha em cima do teto.
—Eu vou primeiro! —Finalmente a loira se manifestou, sua maquiagem estava borrada e sua blusa molhada de suor.  —Não suporto mais este lugar fechado!
Eles a amarraram em outra maca e a puxaram.
—Então sobrou nós. —O bombeiro de ombros largos sorriu. —É só esperar a próxima maca.
—É melhor tomar cuidado com ela, acho que a pressão caiu causando um desmaio.
Erick pois a cabeça pelo buraco e revirou os olhos.
—Agora você vai ensinar os paramédicos trabalhar é?   Não se cansa de ser uma chata de galocha não!
O Bombeiro que estava do meu lado olhou pra cima e iniciou uma crise de risadas.
Fiquei boiando por alguns segundo o motivo da graça.
—Então essa é a miss estresse que te tira do sério? —Ele ergueu as sobrancelhas enquanto perguntava para o Erick.  
—É ela em pessoa, ou melhor, assombração !
—O que você tem na cabeça? Acha que tem o direito de sair inventando apelidos para os outros sem o consentimento de tal? —Briguei, estava pronta para continuar o sermão quando outro estralo ocorre!
Ouso outro bombeiro gritando:
—Eu não mandei vocês desligar a energia!
Sinto um frio na barriga! Eu vou morrer. Só escuto a batida do metal em contato com o chão do térreo.  
Algo grudou na minha cintura. Quando dou por mim estou pendurada no ar! 
—Não balance, por favor. —Sussurro um tudo bem, o braço do homem me apertava com força. —Erick, a segura também para dividir o peso, se não meu cabo vai arrebentar.
O loiro se balança e também segura na minha cintura. Juro que quase fui partida.
Um homem negro musculoso, deduzi já que só vi o braço forte,  mandou o resto do pessoal puxar-nos.
A dor de dois braços me segurando estava me deixando sem ar.
Quando chegamos no topo, um pessoal fardado segura no nossas mãos e nos leva para o chão firme. Caio desajeitada   em cima dos dois que me salvaram.
—Conseguimos! —O Erick gritou e os outros bradaram um viva!
Me levantei.
Alguns fotógrafos, iniciaram uma seção de perguntas.
—Como se sente? —Uma morena de lábios grossos me perguntou enquanto gravava a resposta.
—Viva, graças a Deus!
Ela arregalou os olhos.
—E os bombeiros?
—Fizeram o trabalho deles e eu agradeço! 
O homem que me salvou puxou-me pelo braço.
—Um prazer, Otávio! —Diz em meus ouvidos enquanto me puxa para o canto.
—O prazer é meu. —Respondo sem graça.
O loiro chegou logo em seguida me puxando para o lado dele.
—Se eu fosse você não dava papo pra esse dai.   —O Tal de Otávio revirou os olhos.
—Porque?
—Sua camisa, está escrito eu escolhi esperar! —Eu o olhei com aquela cara de “e dai”. —Te garanto que o Otávio não vai esperar nada!
Ai que eu entendi que o Tal Otávio é do tipo fogueteiro que pega todo mundo e o Erick estava me tirando de uma cilada.
A equipe de bombeiro, eu ,  a Érica e o Vitor , tiramos uma foto para a matéria! Cada um retornou para suas funções.
Eu retornei para meu apartamento, agora não daria mais tempo de ir até a universidade fazer o bendito trabalho. Então fiz um almoço e esperei dar a hora de ir para o hospital Santo Rei iniciar meu estágio!   





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